sábado, 15 de agosto de 2009

Peripécias de uma ronda nocturna

Em vésperas de uma festa anual, fui convidado a trocar o meu turno de serviço das 22 horas pelo das 24 horas e aceitei. O chefe da patrulha era o Cabo Carvalho, de Taveiro, Coimbra. Ele tinha arranjado um amigo de Lamego, que era guarda nocturno de uma padaria, que ficava no cima da Avenida dos Combatentes. Achei estranho àquela hora da madrugada estar o portão aberto mas entramos lá para dentro. Eu, que não tinha combinado nada antecipadamente, perguntei "o que fazíamos ali?", ao que o Cabo Carvalho me respondeu que "eu acertei com este amigo virmos aqui comer uma bôla de carne e beber uma garrafa de vinho espumante Raposeira". As horas foram-se passando e nós com o rádio desligado, o que deixou o nosso alferes Rocha preocupado, julgando que nos tinha acontecido alguma coisa de mal. Eu estava sempre a lembrar o adiantado da hora, mas eles continuavam tão eufóricos que não ligavam nada ao que eu dizia. Dali partimos, pensando eu que que regressávamos ao quartel, mas em vez disso fomos para a cervejaria "Ginja", já passava das 4 horas da madrugada, quando o nosso regresso estava previsto para as duas e meia. No "Ginja" estavam lá dois fuzileiros que o Carvalho se prontificou a levar até à ilha do Cabo, ao que eu me opus. Quando chegamos ao nosso Aquartelamento, já eram cinco horas e um quarto. Como era de prever, o Alferes Rocha estava à nossa espera. Ele mandou o Cabo Carvalho ir ter com ele, mas ele estava tão bebido que tropeçou no 1º degrau e espalhou-se ao comprido. Em face do estado de embriaguez em que todos nos encontrávamos, mandou-nos dormir, para falar-mos mais tarde.
Assim aconteceu e depois de escutada a história, fomos "agraciados" com 6 dias de Grafanil, mas nos dias de folga. Foi o maior castigo que me podia ter dado, porque em todo o serviço em que foi nomeado, nunca foi capaz de lá dormir uma horita sequer.

Feliciano de Jesus Santos, Soldado 1151, do 3º Pelotão da CPM 841