XXXI
Convívio da COMPANHIA DE POLÍCIA MILITAR – 641
Celebração
dos 50 anos da partida para ANGOLA
Amigos.
Mais
uma vez tenho a honra, o prazer e a alegria de receber os amigos e
companheiros de há muitos anos, bem como os seus familiares.
Espero
não ser nem longo nem aborrecido,mas a especificidade deste ano
merece esta reflexão.
Cinquenta
anos passaram sobre aquele dia em que fomos obrigados a embarcar
para terras de Angola, naquele tempo designada província Portuguesa
em África.
Era-mos,
a maioria de nós, ignorantes em termos políticos e, temerosos
pelas notícias que nos chegavam, deturpadas tantas vezes, partimos,
para além de contrafeitos com algum medo e muitas dúvidas quanto ao
regresso.
Quantos
de nós, iniciamos a contagem dos dias que passavam após a nossa
chegada, para depois retomarmos outra contagem, essa decrescente,
embora sabendo que não havia data certa para o recomeço das nossas
vidas que tinham ficado em suspenso.
Muitos
foram, certamente, aqueles que viram adiados ou mesmo perdidos sonhos
de melhores oportunidades.
Uns
tantos, rumaram para novos projetos de vida, quiçá com mais
perigos do que os vividos em África.
Porém, já era a nossa vida, a vida futura e o futuro dos nossos, era o
risco calculado por nós, e não imposto por quem exigia tudo da
juventude de então e nada lhes dava.
Após
estes anos decorridos, julgo que grande parte de nós, motivados
pelas dificuldades com que fomos moldados, conseguimos vencer. Mas o
que é mais importante, é que não esquecemos a amizade criada nos
anos da nossa passagem por Angola, porque foi lá que os laços dessa
mesma amizade mais se fortificaram e se fortaleceram ao longo destes
anos.
Não
posso deixar de referir que estes nossos
convívios tiveram a sua Génesis
nos convívios iniciados pelo 3º pelotão, foram eles que deram o
mote para que se alargassem a toda a nossa Companhia.
Louvável
atitude que fortaleceu a unidade ao longo de vários anos.
Está
aqui um companheiro, um amigo, que foi um dos percursores dos
encontros do 3º , refiro-me ao nosso companheiro Feliciano de Jesus
Santos, que ao organizar, na nossa região, um dos primeiros
convívios, me convidou para fazer parte do grupo o que viria a ser o
pontapé de saída para os convívios seguintes integrando já toda
a Companhia.
Para
ele o nosso carinho especial.
Pela
parte que me toca, estou convicto que fiz a minha parte para que os
nossos convívios não acabassem. Outros
fizeram o mesmo e por diversas vezes. Se
todos promovessem um convívio, não teríamos
anos de vida suficientes para ir a todos.
Foram
realizados até agora vários encontros, uns com maior ou menor
sucesso, com maior ou menor aderência, mas, inegavelmente com
satisfação e alegria renovada quando aparecia mais um companheiro
há muito incontactável, ou mesmo tido como desaparecido.
Este
não é um discurso de despedida, nem nada que se pareça, procura,
isso sim, de uma forma sintética, recordar o que foi a vivência e o
companheirismo dos elementos da nossa velhinha C.P.M. – 641 ao
longo destes 50 Anos.
Amigos
e companheiros.
Cada
vez somos menos, é a lei da vida a comandar esta “Tropa”, mas
temos que ter a esperança de que vamos continuar a fazer jus ao
nosso lema de “Lanceiros” - “ SEMPRE ALERTA “.
Que
é o mesmo que dizer que havemos de os repetir.
Recusemo-nos
a lançar a toalha ao chão.
Houve, e bastantes, faltas às “ chamadas “ para as nossas
(formaturas/convívios);
Uns
por desinteresse, uns quantos por estarem noutras paragens e outros
porque partiram para uma viagem sem retorno.
Para
estes não pode haver “carecadas”,cortes de dispensas de fim de
semana, guardas ou faxinas de castigo.
Vai, isso sim, a nossa
gratidão, a nossa homenagem e o nosso profundo e respeitoso
SILÊNCIO.
Peso
da Régua, 03 de Maio de 2014

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